quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mesmo sem querer

O medo de sentir medo é terrível. O medo de sentir medo trava, assusta, sufoca, machuca, embaça, faz perder o ar, o fôlego, a sanidade. Te tira a leveza, o bom humor e é bem pior do que o medo de não ter coragem. Afinal, como disse Mark Twain, "coragem é resistência ao medo, domínio do medo, não ausência do medo".

O medo de sentir medo paralisa o corpo, a alma e a mente. O medo de sentir medo limita, queimas as pontes, diminui as opções, te leva pra um caminho contrário simplismente porque arriscar pode ser...arriscado demais. O medo de sentir medo te impõe interpretações forçadas, te confunde, troca as letras e as coisas de lugar.

O medo de sentir medo te leva a lugares que você, fatalmente já conhece e sabe que não são bons. E pior ainda...te impede de chegar a lugares em que você sabe que poderia ser mais feliz ou uma pessoa melhor.

O medo de sentir medo é tão cruel que me fez até mesmo adiar essas palavras o quanto eu pude com medo do que eu poderia ler no final delas. Medo de como eu poderia me sentir, medo de como eu iria me comportar, medo, afinal, de sentir medo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Completa

Sentir a alma plena, completa. Acho que é isso que venho buscando tanto, com tanta dedicação. Dedidcação e uma confusão que consome a minha mente. Sentir, definitivamente, que já não falta mais nada que possa preencher um mundo que é só meu. Buraquinhos que só eu sei que existem no meu peito.

Vazios incapazes de serem completos com o conforto do tempo, com palavras de acalanto, com dias de esperança. Vazios que entristecem e que se estivessem cheios poderiam, mesmo confundindo, trazer satisfação e um pedacinho de felicidade. Dúvidas que insistem em se refazer, em continuar aqui dentro, em criar novas dúvidas. Dúvidas que têm respostas tão claras que chegam a se transformar em novas dúvidas.

Lacunas que se completam e se esvaziam diariamente. Se completam com as minhas tentativas de completá-las e de excluí-las. Mas se esvaziam com a minha certeza de que ainda falta alguma coisa, de que que não é aquele preenchimento que eu estou buscando, certeza de que há algo fora do lugar, certeza da iminência de tanta ilusão. Lacunas que me impedem de buscar aquilo que mais do que ser o que quero é aquilo que eu preciso e que, indiscutivelmente, me fará melhor.

Sinto faltas que me fazem acreditar que eu poderia seguir por outro caminho. Caminho que, mesmo que seja mais difícil, acalma, conforta, alegra...confunde, tira do sério, leva a razão embora. São faltas que ao serem supridas trazem momentâneos brilhos nos olhos, sorrisos inexplicáveis, misteriosos frios na barriga, rápidas sensações de saciedade. Sentimentos que maqueiam suas reais necessidades e as trilhas para os caminhos mais seguros.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mudar de canal

Ando querendo abaixar o volume, mudar de canal. Antes pudéssemos abaixar o volume do que nos soa mal aos ouvidos. Antes fosse possível mudar de canal e trocar cenas que insistem em permanecer, em se repetir, cenas que insistem em ser as mesmas todos os dias.

Ando querendo regulhar melhor o brilho, o contraste e as cores dos meus dias. Ando querendo sintonizar outros canais e cancelar aqueles que não já fazem o menor sentido pra mim. Ando querendo mudar a trilha sonora, as deixas, as vinhetas.

Ando querendo reformular todinha a programação do que vem daqui pra frente. Quero trazer de volta os clássicos e os velhos de casa para o horário nobre novamente. Ando querendo excluir novas apostas que não trouxeram bons resultados.

Ando querendo fazer mais novas e luminosas chamadas para os próximos capítulos. Ando querendo investir na produção, nos bastidores, naquilo em que ninguém vê...e também se visse, qual seria a magia, não?! Algo tão coadjuvante e tão essencial.

Ando querendo investir em estrutura, firmeza e estabilidade. As desventuras são perigosas, não trazem bons resultados e queimam bons rolos de filme. É preciso chegar e se manter. É preciso saber pra onde se vai e ir com cuidado. É preciso se manter estável, em alta, com uma boa audiência boa.

domingo, 3 de julho de 2011

399 anos!

399 anos. Não, não. 427...é...427 anos definitivamente. A gente vive tentando se lembrar de como começamos isso...a febre se esforça, pensa, tenta, tenta e não consegue. Mas também né...o que importa? O que importa é onde a gente tá hoje e o que queremos pra amanhã.

Acho que as melhores pessoas que estão na nossa vida chegam por acaso, por acidente, sem motivos aparentes. E o melhor, chegam sem pretensões, sem previsões, sem expectativas. Pronta pra olhar pra você e dizer: cara, sou sua amiga! Não esquece que eu tô aqui pra você, por você e com você...sempre.

Essas são pessoas que escolhemos pra ficar pra sempre na vida da gente. São pessoas que nem mesmo percebemos que escolhemos, são pessoas que nem mesmo sabemos se também te escolheram. São pessoas que, mesmo que nos escolham, não somos capazes de perceber por conta da naturalidade de como as coisas acontecem.

Há pessoas que já estavam no seu coração, de uma maneira ou de outra, há pessoas que já estavam na sua vida, só demoraram um pouco mais pra aparecer. Há pessoas para as quais o amor, o carinho, a dedicação e amizade são parte do cotidiano, são naturais.

E pelos 399 anos, ou melhor, 427, eu te entendo, te ouço e cumpro a promessa que fiz de que vou estar do seu lado sempre. Amo amo!!

** Mongol 800 - Chiisana Ko no Uta **



Afinal, a gente AMA essa música!! ;D

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Quando já não tem espaço

Você já teve a sensação de ter que comprimir sua alma pra caber apertadinha dentro do seu peito? Ter que acomodar dentro de um espaço tão pequeno aquilo que é tão grande? Ter que impor fronteiras a sentimentos que são ilimitados? Ter que tirar o velho pra colocar o novo mesmo que o antes fosse melhor do que o agora? Ter que fazer caber aquilo que não se quer, aquilo que te sufoca, aquilo que te faz pequena, aquilo que não cabem em lugar algum que não seja o seu coração.

Falta espaço, falta fôlego, faltam caixas suficientes para guardar aquela tranqueira toda que você carrega e que é importante pra você, mesmo sendo tão pesada. Falta espaço pro novo, mesmo ainda que, vez ou outra, ele possa ser melhor do que o velho.

Faltam prateleiras, gavetas e portas que sejam grandes e funcionais o bastante para organizar tudo aquilo que você precisa sentir...sentir dia a dia...pouco a pouco...até acabar e ir embora sozinho. Sem parecer que você está leiloando seus sentimentos.

Falta coragem de entregar pro mundo aquilo que te fez bem por tanto tempo. Aquilo que lhe era seguro, que lhe era reconfortante. Aquilo com que você já sabe lidar, aquilo diante de como você já sabe como deve agir. Aquilo que não te exige nenhum risco, nenhuma tentativa nova.

Por isso, falta espaço também para colocar assustadores e excitantes novidades, decisões, novos meios de vida, esperanças de boas novas lembranças. Falta espaço pra coragem, pra ousadia.

Falta espaço para caber dentro de si tanta intensidade, tanta vivacidade, tanto riso e tanto choro. Tanto medo e tanta vontade de tentar. Falta espaço para fazer caber dentro de si o desejo de enfrentar, que assusta tanto, aquilo tudo que não cabe no peito.

"Quando já não tinha espaço pequena fui...quando a vida me cabia apertada. Em um canto qualquer acomodei minha andança e meus traços de chuva..."

** Quando fui chuva, Maria Gadu **


domingo, 26 de junho de 2011

Os velhos hábitos e as novas manias...

Ando pensando muito nas minhas novas manias e nos meus velhos hábitos. Nas minhas novas paixões e nos meus antigos amores. Nos meus velhos amigos e nos meus novos colegas. Ou até mesmo em novos colegas que eu sei que se tornarão velhos amigos. Na moda que eu uso hoje e no meu estilo original. Na cor em que escolhi e na cor que meus pais fizeram para o meu cabelo. Nos meus interesses esquecidos e naquilo que me completa hoje. Nas minhas características japonesas e na minha origem portuguesa. Nas personalidades em que venho assumindo nos últimos 25 anos e na minha essência mais verdadeira e original.

Ando pensando que em há fases na vida em que o ser humano precisa se refazer, se reconstruir e readaptar para viver novas realidades, novos momentos, dia após dia. Porém, mais ainda acredito que existem fases onde é preciso voltar para aquilo que é seu e retomar os seus itens originais de fábrica. E não, não se trata de saudosismo e tão pouco de achar que evoluir não faz parte de um processo de aprendizado e crescimento. Mas, acredito que somos capazes de mudar tanto que passamos a colocar em uma pasta daquelas sanfonadas nossa essência divida por categorias e substituí-las aos poucos quando poderíamos, na verdade completá-las. Completá-las de forma que elas continuassem ali, o tempo todo nos lembrando de que um dia sonhamos em ser bailarinas, astronautas ou atriz/modelo/manequim. Nos lembrando de como o beijo na boca dava um imenso frio na barriga, como a primeira vez era algo marcante, como as músicas que ouvíamos nos diziam, de fato, alguma coisa...mesmo que alguma coisa ruim ou somente engraçada.

Essas nossas categorias deveriam ficar ali, como em uma cristaleira, como taças e xícaras que você só usa quando chega uma visita na sua casa, sabe!? E mesmo você usando pouco, o importante é saber que as tem e que elas estão ali...deixando a sua sala mais bonita e elegante. Afinal, se estão na cristaleira é porque são frágeis e não foram feitas para serem usadas no dia a dia.

Acredito nisso. Acredito que ocasiões especiais podem sim ser marcadas por aquilo que já te faz feliz, que já te fez bem, que te fez chorar de emoção, que te fez dançar de uma forma engraçada e que te fez usar um corte de cabelo que hoje pode ser vergonhoso. Acredito em honrar aquilo que já se foi.

Não defendo a ideia de sermos definitivos, mas aposto nessa coisa toda de trazer de volta os antigos hábitos se os novos não se estão te fazendo bem, em pensar em sentimentos que ainda existem mas que possam estar em um lugar de menos destaque quando merecem estar em primeiro plano, em ouvir como estão seus velhos amigos, em viver com mais intensidade seus antigos amores sabendo que eles são mais consistentes e confortantes do que novas paixões. Aposto em voltar sempre às suas origens, mesmo não sabendo qual é ela exatamente.

E mesmo as suas novas características te completando tão incrivelmente, sua origem, inevitavelmente fala mais alto, a sua origem é responsável pelo sangue que te deu a vida, que formou a sua essência. E essa essência é sim constante e definitiva. E te define, mesmo que o seu comportamento mude e a cor do seu cabelo também.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O clichê das aparências

Ter 1,50m, uns quilinhos a mais, bochechas cor-de-rosa e um sorriso quase constante faz com que as pessoas tenham duas imagens de você: ou que você é de ferro e aguenta qualquer coisa ou que não é capaz de suportar coisa alguma como ela é de fato. Acredito que a primeira opção seja pelo sorriso que, entendam é QUASE sempre constante, e a segunda pelas bochechas cor-de-rosa, as quais eu cultivo desde que nasci.

Apesar de ter convivido com isso na minha vida toda, nunca me permiti muito que as pessoas me poupassem de coisas que eu deveria passar ou que eu poderia saber. Assumi essa postura quando, muito cedo, tive de encarar aquilo que a vida não podia me poupar ou pular quando chegava a minha vez. Foi quando aprendi a me fortalecer diante daquilo que eu não podia mudar, quando aprendi que eu podia chorar frente aquilo que me decepcionava ou me fazia sofrer. E eu chorava, e ainda chora, mesmo me sentindo humilhada e diminuída por parecer fraca, mesmo não sendo.

Demorei a me tornar uma pessoa otimista, capaz de enxergar naquilo que te dói uma lição, mesmo que sofrida, uma lição. Porém, sempre fui consciente o bastante para entender que a dor faz do crescimento e, principalmente, do entendimento instrumentos para se passar por aquilo que lhe parece eterno e sem solução. Aos poucos, você percebe que não passam, dia a dia, somente horas, minutos, segundos...passam pessoas, memórias, lembranças, sonhos, expectativas. Mas, passam para que possam dar lugar outros, aos novinhos em folha.

Sempre fui adepta do sentir com intensidade aquilo que assola o coração, seja algo bom ou ruim. Aprendi que é só esse o remédio para tirar de dentro de você aquilo que está lá há tanto tempo que já parece fazer parte de você, mesmo sendo algo que te faz mal, que te assombra, que te cansa. É preciso sentir o quanto for para dar espaço para algo que te faça bem, que te ajude a superar.

Que melhor maneira de se saber alocar e classificar seus sentiimentos do que permitindo que outros entrem no seu coração?